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Da beleza como modelo de humanidade à beleza como transcendência do Ser!

  • resilienciaartefam
  • 3 de fev. de 2023
  • 3 min de leitura

Atualizado: 14 de abr. de 2023

Partindo do pensamento de Friedrich Schiller: A educação estética do homem, um conjunto de cartas escritas numa época conturbada da sociedade francesa, em plena revolução francesa, onde cheirava a morte nas cidades vizinhas; nas quais o poeta e grande pensador dirige os seus pensamentos ao Príncipe de Augustenburg, no sentido de denunciar a tirania que sofre o homem moderno em prol de uma suposta liberdade (Sousa, 2018). As sementes ideais que estavam na base da revolução francesa de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” falharam. Para o homem comum é considerada a sua existência apenas para trabalhar e sobreviver, não desenvolvendo os seus múltiplos talentos, não é capaz de sentir dentro de si a humanidade.


O problema refere-se à educação, não basta ser um humano, é preciso humanizar-se.


Para o ser humano se desenvolver com plenitude é necessário que, primeiramente, ele se veja com verdade, ou seja, por inteiro (Sousa, 2018).


O que é que este ser precisa para se formar?


Schiller defende a ideia de que só é possível compreender a natureza humana quando se entende a relação de reciprocidade que existe entre alma e corpo: através do sistema simpático todo impulso da alma se reflete no corpo e vice-versa. O ser humano não é um ser puramente espiritual iluminado pela razão, nem tampouco apenas um animal escravo das leis naturais: “O homem não é alma e corpo, o homem é a mais íntima mistura entre essas duas substâncias” (SCHILLER, 1873, p. 240). O ser humano é um amálgama, uma junção profunda entre matéria e espírito, uma mistura impossível de ser dissolvida.


O melhor caminho proposto por Schiller para a transformação da sociedade é o caminho da beleza, porque ela, como diz Rosenfeld (1991, p.31): “[...] define o conceito ideal de humanidade, já que na forma viva se harmonizam os impulsos antagônicos”. A beleza liberta o homem quer da brutalidade (no caso do selvagem), quer da decadência requintada (no caso do bárbaro culto); a arte é então, capaz de estabelecer vínculos entre a razão e a sensibilidade, de transformar o homem a partir de seu interior.


Desde o apogeu da antiguidade clássica, o ser humano perdera a sua espontaneidade, desconectando-se da natureza, que se tornara para ele algo estranho, um mundo natural, reservado aos passeios nos campos. Reestabelecer este “paraíso perdido” seria trabalho para mais de 100 anos, conforme escreveu Schiller na sétima carta. Responsabilizou o Estado, mas reconhecendo que o Estado não poderia fundar uma humanidade melhor. Mas, sim a Humanidade deveria formar um Estado melhor. (Correia, 2022, p. 58).


"A beleza não é o único caminho que conduz o homem à sua plena formação, mas é o principal. A formação é complexa e por isso não depende apenas da beleza, ela se dá no decorrer da própria vida e a partir de todos os elementos que a compõem, é também uma tarefa que se realiza em si mesma, o objetivo não é estar formado, mas estar em formação, não é algo que se alcança, é algo que se busca. A beleza é o principal caminho porque, diferentemente de todos os outros elementos da cultura, ela permite um instante de completude, uma espécie de experiência de totalidade, um momento em que razão e sensibilidade emudecem seus conflitos e na harmonia desse acordo o ser humano encontra sua liberdade – sua verdade e justiça, sua forma viva, sua beleza."(Sousa, 2018. p. 38).


Foto de Matilde da Ascensão Vieira, obtida numa caminhada matinal ao despertar do dia


A beleza como transcendência do SER


A evolução do indivíduo e da espécie está determinada pela sucessão de três fases: o estádio físico - o impulso animal, a relação imediata ao exterior, o interesse egoísta; o estádio estético - sob um contexto favorável, o individuo aprende a mediar a sua relação ao sensível através de um ideal espiritual; o estádio moral - o individuo conciliado com as suas forças e instintos pode dispor livremente da sua humanidade de forma autónoma, dominando o conhecimento e a moral através da conceção de ideias já antes imaginadas, pondo-as em prática a nível técnico, jurídico e político (Blanc, 1998).


"[...] a beleza estimula e promove o homem para os valores, mas não vincula, nem garante a sua consecução. É que esta não dispensa a decisão da vontade livre, fundamento incontornável da personalidade moral." (Blanc, 1998, p. 129).


Referências Bibliográficas:

  • BLANC, Mafalda de Faria (1998). Estudos sobre o Ser. Serviço de Educação Fundação Calouste Gulbenkian. p. 123-131.

  • CADETE, Teresa M. L. R.; SANTOS, Leonel R. (2007) Schiller, Cidadão do Mundo. Lisboa: CEEA/CFUL, p.35-55.

  • CORREIA, Matheus Sampaio Benites (2022). Beleza e liberdade em Friedrich Schiller: A promessa política da educação estética Dissertação de mestrado. Pontifícia Universidade Católica de Rio de Janeiro.

  • ROSENFELD, A. (1991) Introdução. In: SCHILLER, F. Cartas sobre a Educação Estética da Humanidade. São Paulo: EPU, p. 7-34.

  • SCHILLER, F. (1995) A educação estética da humanidade numa série de cartas. Tradução de Roberto Schwarz e Márcio Suzuki. São Paulo: Iluminuras.

  • SOUSA, Selmy Menezes (2018). Cultura estética em Friedrich Schiller, Kínesis, Vol. X, n° 25, dezembro 2018, p.25-39.


#beleza#humanidade#educaçãoestética#transcendência

 
 
 

Comentários


"Querida Matilde, Quando nos propusemos a este caminho, foi acima de tudo pela confiança que em ti sinto! Confiança essa que se revela bilateralmente e que é o maior dos acervos a que poderia aceder. Contigo o percurso tem sido Divinal pois sinto a cada dia que passa uma aceitação do que não vejo ou sinto que se traduz num Grande Silencio Interno tão necessário para que vá superando o que em Consciência não era, ainda, visível. Sessão após sessão a camada que poderemos falar da consciência física que não tinha noção de si vai sendo trabalhada e dissolvidas são em Luz e Amor todas as memórias do passado que ainda interferiam no meu percurso. Enquanto terapeuta, foste em aceitação respeitando o tempo necessário para que a Cura se fosse fixando sem criticas e julgamentos. Estiveste sempre disponível sem me pressionares respeitando não só o meu tempo como também o meu espaço. Lucidez é no que se traduz todo este caminhar onde finalmente poderei voltar a viver o Aqui e Agora na Simplicidade Complexa de SER! Gratidão pelo respeito com que sempre me trataste na reverencia do Todo que me compõe! Abraço_Maior, Nos Sou em profundo Amor."

Sandra

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